Músicos profissionais: aproximadamente 80 atuam em Braço do Norte

Com o pai músico, era uma questão de tempo para José Canedo Gomes Ferreira Junior, 22, de Braço do Norte, interessar-se pela arte. Admirava os acordes e a leveza de um violão bem tocado e ensaiava em casa desde criança.

A oportunidade de chegar aos palcos surgiu no grupo de jovens Ruah, há três anos. “Com o amor que passo tocando, os jovens sentem-se influenciados para seguir o mesmo caminho”, reflete o técnico de informática que sonha em apresentar-se em palcos de grandes emissoras cristãs.

Assim como Canedo, centenas de outras histórias surgem nos últimos anos na cidade que é mais conhecida por sua vocação no mercado agropecuário. Dono de uma escola, Alexandre Fornasa conta que aproximadamente 80 profissionais já atuam no mercado, que está em crescimento. “Alguns, como professores de música”, revela o empresário, que nas últimas semanas trabalhou no primeiro CD de um grupo de rap de Tubarão, o Chubazada. “As vozes foram capitadas aqui e enviadas para o produtor Luiz café, do Rio de Janeiro, um dos melhores do país no gênero Rap, para serem produzidas lá”, valoriza.

Apaixonados por música podem gastar muito. É preciso desembolsar pelo menos R$ 5 mil para produzir o CD mais simples, segundo Fornasa, mas, geralmente, as bandas pagam mais para ter qualidade, podendo chegar a R$ 25 mil. Para piorar, cada vez menos há incentivos públicos. Em Braço do Norte, por exemplo, o empresário desconhece a existência de uma lei municipal de auxílio aos talentos locais.

O maestro Lourenço Muller, 67, que já participou da gravação de mais de 20 CDs, e que já se apresentou em Fátima, Portugal, com mais de 100 músicos brasileiros, conta que atualmente está mais difícil viver da música. Para ele, a qualidade decaiu e o preço cobrado pelas apresentações segue uma concorrência desleal. “Vivo da música porque ensino, mas se fosse fazer música para vender um CD, eu não teria condições. Tocamos em casamentos, eventos, mas a concorrência é muito ampla e como o nosso estilo é mais erudito, com violinos, trompetes, trombones, clarins, fica três vezes mais caro que aquela apresentação mais simples, com menos qualidade”, explica.

Formado em três faculdades em Florianópolis, o maestro diz que se interessou pela área aos 7 anos, quando ganhou uma flauta. No colégio interno, aprendeu a tocar teclado. “A música sempre esteve presente na minha vida, principalmente na regência e corais. Já são 48 anos que sou regente do Coral Municipal de Grão-Pará”, destaca.

Hoje, o artista mais caro que se apresenta no país é conhecido por Wesley Safadão. Os ingressos para os seus shows chegam a custar cerca de R$ 1 mil. Para contratar o cantor, o organizador do show deve desembolsar pelo menos R$ milhão por apresentação.

Incentivos federais estarão em debate na Câmara Federal

Criada em 1991, a Lei de Incentivo à Cultura (Lei 8.313/1991), mais conhecida como Lei Rouanet, concede incentivos fiscais a projetos e ações culturais. Por meio da lei, cidadãos (pessoas físicas) e empresas (pessoas jurídicas) podem aplicar na área cultural parte do Imposto de Renda devido.

Todos estes benefícios estão em debate nas próximas semanas em uma Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI na Câmara dos Deputados, em Brasília. Autorizada, a CPI pretende discutir denúncias de mau uso do dinheiro público. Entre os investimentos estranhos, está as despesas de uma festa de casamento em Jurerê Internacional, em Florianópolis, alvo da Operação Boca-Livre, da Polícia Federal. 

Atualmente, mais de três mil projetos são apoiados a cada ano pela lei. Mais de 80% dos projetos custam até R$ 600 mil.

Governo estadual mantém suspense sobre edital

O maior instrumento de incentivo à cultura de Santa Catarina é o edital Elisabete Anderle, que no ano passado investiu R$ 7 milhões em 11 categorias, com a maior procura justamente na área da música: 343 inscrições. Para este ano, o portal www.fcc.sc.gov.br ainda mantém o suspense sobre o que o lançamento de um novo edital.

Por tradição, o governo estadual abre o edital em meados de outubro. Na última edição, 1569 projetos foram analisados, dos quais 1.161 foram habilitados para receber os recursos. O edital foi visto com desconforto pela classe artística devido à demora em se conhecer os aprovados, que atrasou, segundo o governo, devido ao trabalho de triagem das muitas das inscrições recebidas. Uma orientação da Fundação Catarinense de Cultura é que os interessados observem todos os documentos solicitados nos editais.

Fonte: Informações e foto: Notisul.

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