Melancia rende R$ 10 milhões ao ano

O verão começou ontem, e nos dias quentes o corpo pede alimentos mais leves e de fácil digestão. Assim, as frutas acabam uma ótima escolha. Nesta época, elas predominam nas feiras e hortifrútis, e dentre elas uma se torna protagonista da estação: a melancia. Refrescante, suculenta, doce e saborosa, a fruta oferece nutrientes necessários ao organismo, repleta de vitaminas, minerais e antioxidantes. 

Referência na produção no Sul de Santa Catarina, Jaguaruna conta com cerca de 600 hectares plantados todos os anos, envolvendo quase 80 famílias que produzem aproximadamente 15 mil toneladas por safra. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Jaguaruna possui um terço do seu Produto Interno Bruto (PIB) oriundo da agricultura, pesca e pecuária. A melancia é uma das cinco principais atividades agrícolas da cidade, movimentando cerca de R$ 10 milhões por ano. 

Neste mês inicia a fase da colheita, e já deu para definir que a qualidade é boa. A safra da melancia é encerrada em janeiro. “Muitas destas frutas abastecem mercados em Curitiba e São Paulo. Após este período principal de colheita, algumas lavouras plantadas em época distinta, continuam abastecendo as praias e os municípios da região”, informa o engenheiro agrônomo da Epagri de Jaguaruna, Emerson Evald.  Ele ressalta que a produção deve atingir o resultado esperado, apesar dos eventos climáticos e fitossanitários que acometeram a safra. A média de produção em Jaguaruna é de 25 a 30 toneladas por hectare.

Cultivo da melancia é preservado entre gerações
O jovem Eladio Medeiros Bitencourt Junior, 21, comemora a colheita da fruta e dá continuidade na profissão que aprendeu com o pai. A família plantou dez hectares e pretende colher até 250 toneladas. “Desde pequeno acompanho meu pai na plantação da melancia. Neste ano, ela veio bem docinha e está com bastante saída em nossa barraca, que fica próximo à Lagoa da Jagua”, identifica o produtor. 

O trabalho dos jaguarunenses atende mercados de Florianópolis, Criciúma, Joinville e outros municípios da região. A família mantém um ponto de vendas e após a safra, a atenção é voltada para outros setores, como o cultivo de gado e a plantação de tomates. 


Eladio (com a fruta) dá continuidade ao trabalho que aprendeu com o pai. - Foto: João Carlos Idalêncio/Divulgação/Notisul.

Queda no preço é sentida pelos produtores locais
Neste ano, a produção alcançou a expectativa, porém, a comercialização da fruta não apresenta resultados satisfatórios ao produtor. Aldo Luis Vieira, 59, é produtor de melancia há mais de oito anos. A produção fica exposta em uma das primeiras “barracas” na estrada de acesso ao Camacho, em Jaguaruna. A esposa, Chila Regina Machado, 55, é a responsável pela venda da fruta, que atualmente está com uma leve queda no preço. 

“O valor está abaixo, estamos vendendo o quilo entre R$ 0,35 a R$ 0,40, o que mal paga os custos de produção que aumentaram bastante neste ano. Sem falar que o mercado está saturado, o que dificulta o escoamento da nossa produção”, detalha o produtor, que nesta safra plantou cerca de cinco hectares de melancia, fazendo rotação com outras frutas e verduras. Para Aldo, o mercado sofre depreciação com o aumento da concorrência. “Hoje, não vale muito o investimento porque acresceu o número de produtores e o custo, mas continuamos porque se parar é pior. A cada ano reduzo a área plantada e procuro novas alternativas para continuar na profissão”, desanima-se.


A comerciante de melancia, Chila Regina, também oferece outros produtos em seu ponto de vendas para atrair os consumidores. - Foto: Divulgação/Notisul.

Parte da produção foi atingida por doença fungicida
A cultura da melancia está sujeita ao ataque de mais de 30 doenças, que podem ser causadas por bactérias, fungos, nematoides e vírus. Além destas, a melancia também está sujeita a doenças de origem fisiológica, provocadas por condições desfavoráveis ao desenvolvimento das plantas, como deficiência ou excesso de nutrientes, temperaturas muito altas ou baixas, luminosidade inadequada, falta ou excesso de água, entre outras. 

O engenheiro agrônomo da Epagri de Jaguaruna, Emerson Evald, revela um fator que influenciou a produção neste ano foi a Murcha-de-Fusarium, doença de solo causada pelo fungo Fusarium oxysporum, identificada no laboratório de fitossanidade da Epagri.

“A doença atingiu algumas lavouras, nem todas, mas as perdas variaram entre 10% a 50%. A sugestão para evitar a doença é fazer uma rotação de cultura, evitar área com histórico da enfermidade e cultivo resistente utilizando produto biológico protetor já nas mudas, à base de tricodermas”, orienta o especialista.

Fonte: Notisul

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