Comunidade de Garopaba protesta contra esgoto em lagoa

Um protesto na manhã de sábado (15) reuniu moradores, pescadores, surfistas e turistas em prol da mesma causa: o fim do despejo de esgoto tratado no rio que desemboca na lagoa de Garopaba. Estima-se que mais de mil pessoas participaram da mobilização.

A comunidade é contrária ao projeto da Casan, que prevê a construção de uma estação de tratamento de esgoto no bairro Ambrósio. De acordo com os manifestantes, depois de tratada a água não deve ser despejada no rio Linhares, que desemboca na lagoa da Garopaba, mais conhecida como Lagoa Encantada.

Os participantes da manifestação, que realizaram um abraço simbólico à lagoa, afirmam que o rio não tem condições de receber o esgoto tratado e pescadores dizem que haverá extinção da pesca.

Em nota, a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) afirma que “entende a preocupação de moradores” e que a balneabilidade das praias e da lagoa de Garopaba “terão seu ambiente muito mais ameaçado sem um sistema de esgotamento sanitário”.

Para o presidente da Associação Barra Limpa, Fernando Camargo, haverá problemas ambientais caso o projeto seja implantado. “A lagoa é de água doce e se conecta com o mar. Muitas vezes ao ano a barra fecha, fica coberta com a areia naturalmente, porque parou de chover. Precisa ficar com água doce represada para a procriação de fauna e flora”, explica. “O impacto ambiental é irreversível e danoso para uma comunidade que vive da pesca”, completa.

No dia 3 de abril, os moradores entraram em contato com o Ministério Público Federal (MPF). “Protocolamos junto ao MPF de Tubarão um dossiê em cima do projeto da Casan, que indica todas as falhas apresentados no projeto”, afirmou Fernando.

Em nota, a Casan afirmou que o projeto “é uma estação de tratamento de esgoto (ETE) modelo terciário, ainda não implantado em Santa Catarina. Além de depurar a carga orgânica presente no esgoto doméstico, o processo do modelo terciário retira nitrogênio e fósforo, que, em excesso, comprometem os ambientes aquáticos. E vai devolver à natureza um efluente tratado (não vai devolver esgoto, mas efluente tratado). A estação reduzirá os riscos de eutrofização (processo provocado exatamente pelo excesso de nutrientes), favorecendo inclusive a pesca artesanal”.

Riscos para o meio ambiente

A Casan também afirmou na nota que há riscos para o meio ambiente local atualmente. “É importante lembrar que atualmente esse ambiente recebe diretamente, de forma clandestina, parte do esgoto gerado no município, em especial da bacia do rio Linhares, que é um dos contribuintes da Lagoa. A outra parte tem como destino a beira da praia, através de riachos e canais de drenagem que desembocam no mar. A estação vai tratar em nível terciário todo esse esgoto que hoje é tratado em fossas (cujo grau de eficiência é avaliado em de 30 a 40%) ou lançado sem nenhum tratamento nos cursos de água.”

Fonte: Sul in Foco

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