Seminário debate formas de violência contra as mulheres, em Orleans

A Bancada Feminina e a Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira realizam, nesta quinta-feira (5), em Orleans, o 6º Seminário Regional pelo Fim da Violência contra a Mulher. O evento, promovido em parceira com o Movimento de Mulheres Camponesas, ocorre no auditório do Centro Universitário Barriga Verde – Unibave, durante todo o dia, com o intuito de debater e propor encaminhamentos para reduzir a violência contra as mulheres.

Na abertura do seminário, o prefeito de Orleans, Jorge Koch, opinou que a violência contra a mulher decorre em grande parte da questão cultural e de problemas sociais como a dependência química. Para ele, o investimento em políticas sociais seria uma forma indireta de combater a violência doméstica. “No nosso município temos que atuar na área de habitação. Temos um déficit de 400 residências e pagamos 30 alugueis sociais para famílias vulneráveis”, exemplificou. Ele, que foi delegado por 25 anos, reconheceu as falhas na segurança pública e a dificuldade de ter policiais especializados no atendimento às mulheres nas delegacias.

Seminário em Orleans debate formas de violência contra as mulheres

Foto: Ketully Beltrame / Sul in Foco

A coordenadora da Bancada Feminina, deputada Luciane Carminatti (PT), abriu a programação de palestras do encontro falando sobre ações políticas para o enfrentamento da violência contra as mulheres.

Conforme os indicadores apresentados, o Brasil é o quinto país com maior número de feminicídios no mundo (4,8 para 100 mil mulheres); Santa Catarina é o quarto estado entre os mais violentos para as mulheres no Brasil; cinco cidades catarinenses estão entre as 100 mais violentas para as mulheres no país: Lages, Mafra, Criciúma, Balneário Camboriú e Chapecó.

Em 2016 foram registradas, pelo Disque 180, 2.554 denúncias de violência doméstica contra as mulheres do meio urbano e 184 do meio rural. Em 2015 foram 1.172 denúncias provenientes do meio urbano e 97 provenientes do meio rural. “Sabemos que nem todas as mulheres denunciam. É consenso que para cada número registrado ocorre no mínimo 40% a mais”, alertou Luciane.

A deputada fez um relato sobre a estrutura existente em Santa Catarina para atendimento das vítimas e citou a falta de equipamentos previstos na Lei Maria da Penha, que ainda não foram implementados. “A estrutura especializada é insuficiente e falta qualificação aos quadros”, lamentou. Para Luciane, a violência contra a mulher precisa ser analisada sob os aspectos cultural, social e econômico. Ela falou ainda sobre as dificuldades enfrentadas para garantir a participação política das mulheres, já que esse é um espaço predominantemente masculino.

Mulheres do campo

Seminário em Orleans debate formas de violência contra as mulheres

Foto: Ketully Beltrame / Sul in Foco

A agricultora Justina Inês Cima abordou a violência doméstica contra a mulher do ponto de vista das trabalhadoras do meio rural. Uma das principais violências cometidas contra as mulheres pobres da zona rural, na geração dela, foi não ter o direito de frequentar a escola. “O acesso à educação pode tirar as mulheres de uma situação de violência”, disse. Justina afirmou que as condições sociais e a cultura patriarcal são fatores que legitimam uma ideologia de opressão e de superioridade masculina. “Um dos pilares da violência é a dependência econômica da mulher. Quando a mulher tem autonomia, consegue com mais facilidade sair daquela condição”, refletiu.

Nas áreas rurais, há muita violência contra a mulher e muita demora na chegada das políticas públicas, conforme Justina. Fatores como o isolamento e falta de condições financeiras fazem com que se perpetuem vários tipos de violência – física, emocional, sexual e patrimonial. Ela considera fundamental que as mulheres se organizem, nos mais diferentes espaços, porque no debate coletivo podem encontrar apoio e autoafirmação.

Durante sua palestra, Justina exibiu um documentário da jornalista Ângela Bastos com depoimentos de mulheres do campo vítimas de violência. “É muito importante discutir violência doméstica e traçar estratégias para superá-las, pois 70% são mortas por seus maridos, companheiros ou namorados”, avaliou a palestrante. A morte é a última violência cometida contra as mulheres vítimas de seus companheiros. Antes disso, a maioria conviveu com vários outros tipos de violência.

Saúde da mulher

Seminário em Orleans debate formas de violência contra as mulheres


A cultura machista de domínio sobre o corpo das companheiras ainda impede que muitas mulheres previnam doenças como o câncer de mama e o câncer de colo de útero.Fechando a programação da manhã, a vereadora Mirele Debiase, militante da Rede Feminina de Combate ao Câncer, falou sobre o domínio que o homem pensa ter sobre o corpo da mulher e o quanto isso prejudica o acesso aos recursos de saúde e prevenção.

“Temos relatos de mulheres que precisam se esconder do marido para fazer um exame preventivo de câncer de colo de útero”, contou a ativista. “Nós mulheres precisamos julgar menos o que a outra passa, nos ajudar e nos proteger”, recomendou.

Fonte: Sul inFoco

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