Sem fronteiras

Um mundo pacífico é um local onde as pessoas podem se sentir confiantes com sua cultura, sua família, seu país. Porém, às vezes, por diversos motivos, sejam eles econômicos, pessoais, catástrofes naturais ou guerras, essa paz ideal é destruída. Então é necessário deixar tudo para trás e seguir em busca de um novo caminho, de um novo mundo pacífico. Um destes locais é o Brasil. Segundo pesquisadores da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas, aproximadamente 0,3% da população brasileira é composta de imigrantes.

A cidade de Tubarão está inserida neste contexto e desde 2014 a presença de imigrantes e refugiados de países como Gana, Senegal, Togo e Haiti é mais frequente na região. Apesar de deixarem seus países procurando por melhores condições de vida, a maioria dos migrantes encontra muitas dificuldades durante a trajetória. Para a coordenadora do projeto Acolhida ao Imigrante, Carla Borba, apesar do processo imigratório ser um direito humano reconhecido globalmente, ainda há muito que se fazer no âmbito de ações e políticas públicas. “A barreira linguística, dificuldades para a obtenção e manutenção do emprego, violação de direitos, dificuldades na validação de diplomas, xenofobia e racismo são alguns dos graves problemas que podem ser enfrentados”, relata. 


Acolhida ao IMigrante
Foi neste contexto de dificuldades que surgiu o Acolhida ao Imigrante, projeto de extensão da Unisul que teve início no curso de Relações Internacionais da instituição. Desde 2015, o Acolhida, como é chamado, atendeu imigrantes e refugiados de mais de dez países, com a participação e envolvimento direto de 240 alunos bolsistas, 15 professores e 1.080 membros da comunidade local.

Diversas ações são realizadas no projeto. Uma delas são as aulas de português, totalmente gratuitas, para os imigrantes. Para a professora do Acolhida, Wiara Simão, o domínio da língua é a maior dificuldade para eles. “A ideia é que o acesso ao idioma possa integrá-los e torná-los mais autônomos em seus processos, trabalhando num sentindo de empoderamento e emancipação”, destaca. 


Gratidão
Para quem perdeu ou deixou tudo para trás, o recomeço pode ser muito difícil. E é buscando ajudar essas pessoas, que a Cáritas Diocesana de Tubarão realiza um trabalho voltado para os imigrantes. Atualmente, 15 pessoas, entre adultos e crianças, de diferentes nacionalidades, moram nas casas ofertadas pela Cáritas. Padre Ângelo Bussolo, que administra o local, também é conhecido como “pai” pelos imigrantes. Ele, além de ofertar a moradia, dá carinho, atenção e trata a todos como uma grande família.

Ali, de 39 anos, veio de Gana, na África, em 2016 e mora em uma das casas da Cáritas. Segundo ele, que está empregado como assistente de produção em uma empresa de Tubarão, a Cidade Azul foi amor à primeira vista. “Logo que cheguei vi o Rio Tubarão e me apaixonei. É maravilhoso. Meu sonho era ter uma melhor qualidade de vida, um emprego decente, e consegui tudo isso aqui”, declara. 

Para o ganês, sem a ajuda da Cáritas e do Acolhida ele não teria tido tantas oportunidades. Segundo Ali, que participa das aulas de português desde que chegou à cidade, ele está vivendo o sonho. “O pai [Padre Ângelo] e a mãe cuidam muito bem da gente. Até o nosso aniversário nós comemoramos aqui. Eles fazem a nossa vida melhor. Gratidão é a única palavra que consigo pensar para definir o que sinto”.


Pelo Brasil
Realidade dos imigrantes e refugiados

De acordo com a Organização Internacional para Migrações (OIM) cerca de 1,5 milhões de imigrantes em 2014 viviam no Brasil, sendo que em números, os refugiados, pessoas que imigram em razão de fundado temor de perseguição, o país alcançou em 2015 um pouco mais de 28 mil solicitações de refúgio. Só no período de 2010 a 2013 esse percentual se elevou em 930%. No ano de 2016, do Conare/Ministério da Justiça apontou um aumento de 127% no número de refugiados com o reconhecimento de 9.552 pedidos até dezembro do mesmo ano.


O futuro
Para o ganês Ali, “o futuro é agora”. E é preciso que pessoas, assim como a Wiara, a Carla e o padre Ângelo, ajudem na construção de um mundo melhor para todos. Segundo a professora de português, “temos muitas pessoas talentosas que vêm de fora. Só é preciso dar uma chance”. Padre Ângelo afirma que o Brasil é para todos “não apenas para os imigrantes do passado. Eles se sacrificam por amor a uma família que querem que sobreviva”, reflete emocionado. Para Carla, o projeto Acolhida é “uma jornada que conta com a vibração daqueles que almejam um mundo mais justo, tolerante, solidário e pacífico”.


A luta pelo sonho
Em 2015, Mouhamadou Foye, hoje com 26 anos, deixou seu país natal, o Senegal, com mais de 15 milhões de habitantes, para buscar novas oportunidades no Brasil. Deixou a família e embarcou para um futuro de incertezas. Hoje, ele trabalha em uma empresa de ônibus de Tubarão e todo mês envia uma parte do salário para os familiares. “O Brasil me deu outra chance. Eu quero muito ajudar a minha família e estou sempre procurando por novas oportunidades”, diz. 

Um dos grandes sonhos de Mouhamadou era ser lutador profissional. Faixa preta em taekwondo descobriu em Tubarão uma nova paixão: o boxe. Segundo colocado no Campeonato Catarinense da modalidade, e ranqueado como primeiro pela Associação Catarinense, ele espera conquistar ainda muito mais com o esporte. “Sinto-me motivado e quero aprender cada vez mais. Toda vez que eu luto, sinto-me destemido, como se tudo fosse possível”.


Família unida pela esperança
Ayham e Niameh são casados há quatro anos. Desta união nasceu Juri, hoje com 3 anos, e mais um bebê está a caminho. Eles moravam em Damasco, capital da Síria, e vieram para o Brasil em 2015. A guerra devastou o país e segurança era uma palavra dificilmente ouvida por lá. Quando o Exército começou a recrutar todos os homens de até 40 anos de idade, a família decidiu sair da Síria para buscar por um recomeço. “Meus amigos, primos, familiares, todos foram levados. Não sabemos para onde foram ou se irão voltar”, diz Ayham sobre a situação no país natal. 

Ayham trabalhava em um restaurante e, com a promessa de abrir um empreendimento no Brasil, a família se mudou para o país. Hoje, o tão sonhado restaurante próprio não saiu do papel. Atualmente ele trabalha em um estabelecimento que vende comida árabe, mas garante que o sonho de ter seu próprio restaurante ainda é vivo dentro dele. Como a culinária sempre foi uma paixão do casal, Niameh faz esfirras em casa e Ayham vende pela cidade. Esta é uma forma de começar a construir, aos poucos, o tão sonhado negócio.

Fonte: Beatriz Juncklaus / Notisul

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