Soldado é encontrado morto no 1º Batalhão Ferroviário de Lages

Um soldado que estava de serviço de guarda ao quartel do 1º Batalhão Ferroviário de Lages foi encontrado morto com ferimento na cabeça, na noite da última segunda-feira, 9, no Bairro Conta Dinheiro.

De acordo com o Batalhão, há indícios de que Guilherme Cruz Wenningkamp tenha cometido suicídio com um fuzil. Um inquérito foi instaurado para investigar o caso. O jovem é natural de Fraiburgo onde será realizado o velório.  De acordo com publicações de um amigo, Guilherme pediu que compartilhasse um texto, enviado pelo whatsapp,  em que há palavras de agradecimentos aos pais e amigos, assim como denúncias contra a instituição. 

O amigo disse, nas redes sociais, que não imaginava que aquela conversa era um despedida.

Segue o texto:

“Boa noite, gostaria de agradecer primeiramente ao meu Pai e minha Mãe, por ter me criado da melhor forma recebendo a melhor educação do  mundo obrigado por tudo mesmo! Ao mesmo tempo me perdoem…”

"…Hoje não estou triste e muito pelo contrário só quero fazer todo mundo ver da pior forma um sentimento de indignação vivido por muitos mas expressado por poucos. Fui muito privilegiado em ter ingressado as fileiras do exército aprendi muito, me dediquei ao máximo jurei diante a Bandeira Nacional respeitar meus superiores, cheguei ao extremo prometendo defender a pátria com o sacrifício da minha própria vida se preciso. Agora surge uma pergunta… Para que tudo isso se no momento em que mais precisei fui esquecido? Todos aqui dentro sabem a humilhação que passei, fui punido como um bandido por não deixarem me despedir da minha tia (mãe) no caixão!  Isso é só um dos casos de injustiça” declara o soldado.

Guilherme faz um desabafo e relata outros casos que vão além da falta de educação  com os soldados e severas punições. “Em um batalhão onde um serviço de guarda ao quartel pode ser prolongado por horas ou até dias por uma munição perdida, ou até mesmo uma peça de armamento, um superior não tem moral nenhuma para cobrar o zelo com o armamento se todo dia são roubados coisas de muito mais valor” … e completa “isso ninguém vê, ou melhor “fingem não ver” diz.

Em outro trecho Guilherme escreve que não teria se sentido bem durante o serviço. “No último serviço não me senti bem durante um quarto de hora com tonturas e suor excessivo, então tirei a gandola para tentar melhorar um pouco, e o sargento viu. Mais uma vez eu ia ser  punido por uma besteira, como se eu não estivesse nem aí para o serviço”.

O jovem se declara como uma pessoa que gosta das coisas justas e da verdade. E despede-se dos amigos. “Quem me conhece bem sabe a pessoa que sou, gosto de poucas pessoas, não é qualquer um que conquista minha amizade, não gosto de mentiras, sou sincero, até demais. Peço desculpas as meus amigos, e até um futuro próximo,” finaliza o texto.

Finaliza admitindo que errou em portar o aparelho de celular nesta segunda, porém declara que  foi pelo motivo da despedida. “Hoje errei e fiquei com meu celular durante o serviço mas foi para se despedir de algumas pessoas…Hoje me despeço cumprindo meu dever, defender a minha pátria até o último dia da minha vida!” finaliza. curso para apurar as circunstâncias do fato”.

Fonte: Correio Lageano

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