Grupo de contato debate em Montevidéu solução para crise da Venezuela

Um grupo de países com posições divergentes sobre a Venezuela tenta nesta quinta-feira (7) em Montevidéu buscar uma solução para a crise no país, em meio à disputa entre o presidente Nicolás Maduro e o presidente do Parlamento Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país.

Representantes da União Europeia (UE), de oito países do bloco e de cinco da América Latina se encontram em Montevidéu com o objetivo de contribuir para criar as condições para possibilitem um processo político e pacífico à grave crise política na Venezuela. Aliada de Maduro, a Rússia lamentou não ter sido convidada para a reunião.

Inicialmente convocado por México e Uruguai como um encontro de "países neutros" para buscar uma solução, a reunião conta com a participação da União Europeia, que se uniu ao processo após a criação do Grupo de Contato Internacional, ao qual depois foram adicionados três países latino-americanos (Equador, Costa Rica e Bolívia).

A reunião não conta com a participação de representantes do governo de Maduro nem da oposição venezuelana.

Na abertura do encontro, a chefe de política externa da União Europeia, Federica Mogherini, pediu uma solução pacífica e política para o agravamento da crise no país, segundo a Reuters.

O vice-ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Riabkov, destacou à agência de notícias RIA Novosti a preocupação de seu país ante as informações de que a reunião não dará tanta atenção a "uma solução entre venezuelanos". "Esperávamos que a Rússia pudesse participar dos trabalhos que acontecerão hoje em Montevidéu, ao menos como país observador, mas nos disseram que algo assim não estava previsto para ninguém", afirmou.

Maduro apoiou na quarta-feira "todos os passos e iniciativas de facilitação do diálogo" e afirmou que o governo está "preparado" para participar em um processo de entendimento.

Mas Guaidó, que foi reconhecido como presidente interino por quase 40 países, incluindo os Estados Unidos e o Brasil, reiterou que "a oposição venezuelana não vai se prestar a nenhum tipo de falso diálogo" que permita a Maduro ganhar tempo.

 

Ajuda humanitária

 

A reunião acontece em um momento de tensão pela chegada de ajuda humanitária a Venezuela, em particular enviada pelos Estados Unidos, após o bloqueio dos militares em uma ponte da fronteira com a Colômbia, onde foi estabelecido um centro de coleta de remédios e alimentos.

Guaidó, 35 anos, fez um apelo aos militares para que não bloqueiem a entrada de ajuda, que Maduro rejeita por considerá-la a ponta de lança de uma invasão.

Com escassez de alimentos e remédios, além de uma inflação que o FMI projeta em 10.000.000% para este ano, a Venezuela enfrenta a pior crise de sua história moderna, que provocou o êxodo de 2,3 milhões de pessoas desde 2015, segundo a ONU.

Fonte: G1

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