Sambaquis são alvo de depredação

A depredação dos sambaquis continua sendo uma preocupação constante na região. Em Laguna, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registra diversos casos, que podem gerar notificação, multa e até a prisão de quem danifica essas áreas históricas. 

Um dos registros mais recentes aconteceu no feriado de Páscoa, no sambaqui Cabo de Santa Marta III, no Farol. Moradores relataram que motos e outros veículos estiveram no local, e que eventos, como rali, são frequentes naquela região. O caso repercutiu nas redes sociais, já que os sambaquis são considerados patrimônio natural e cultural. Segundo o Iphan, a região de Laguna conta com, pelo menos, 60 desses espaços. 

“Muitas empresas realizam eventos de corrida nessas áreas. Até existe uma recomendação do Ministério Público que sinaliza onde os veículos podem ou não acessar, mas nem sempre isso é respeitado. Nesses casos, a gente tem que descobrir quem passou por ali, se foi alguma empresa que organizou o rali, e aplicar notificação e multa”, explica a chefe do escritório do Iphan em Laguna, Ana Paula Cittadin. 

Ana explica que boa parte dos sambaquis da região é demarcada, o que dificulta o acesso ao local. Mas muitos também não possuem identificação, ou porque ainda não foram cercados ou porque o vento, a chuva ou até mesmo o vandalismo retiraram dali a demarcação.

MORADORES E ENTIDADES AJUDAM NO DIA A DIA

Para tentar localizar os infratores, o Iphan conta com a ajuda essencial dos moradores e de entidades e organizações não governamentais. Uma delas é a Associação de Surf e Tow-in do Farol de Santa Marta. “Além dos ralis, notamos que muitas pessoas, com carros normais, invadem as praias. 

Nessas questões, falta uma estrutura melhor para evitar que isso aconteça. Na Praia do Cardoso, por exemplo, hoje existe um bolsão de estacionamento e uma passarela de madeira, que evita que as pessoas estacionem na orla, gerando outro problema ao meio ambiente”, explica Reinaldo Langer Jaeger, presidente da associação. 

Reinaldo também aponta a falta de preocupação de alguns órgãos públicos em relação ao tema. “A gente sabe que nem todo mundo respeita as áreas demarcadas. Mas, se existe uma cerca, isso gera uma inibição. E mesmo que a prefeitura não seja tão atuante nesse sentido, a própria comunidade faz questão de ajudar, de fiscalizar. Em alguns casos, são eles que tentam impedir a passagem de jeeps ou motocicletas pelos sambaquis, entrando até em confronto com esses infratores”.

Os sambaquis são montanhas erguidas em baías, praias ou na foz de grandes rios por povos que habitaram o Litoral do Brasil na Pré-História. Eles são formados, principalmente, por cascas de moluscos, além de ossos de mamíferos, equipamentos primitivos de pesca, e até objetos de arte.

ONG cita falta de conscientização

Carolina Gomez da Silva, ativista da ONG Rasgamar, que existe desde 1997 no Farol de Santa Marta, aponta a falta de conscientização das pessoas como uma das causas das depredações. “Os ralis e os eventos desse tipo são frequentes e tem se intensificado nos últimos anos, principalmente aos finais de semana. O município aprovou uma lei, de 2017, em que ficam proibidas a entrada, a permanência e a circulação de veículos automotores nas praias de Laguna. Mas ainda falta fiscalização, e até sinalização informando isso no nosso Litoral. Geralmente, são pessoas de fora que invadem o lugar e destroem nosso patrimônio. As motos circulam sem placas, e alguns motoristas estão até alcoolizados, o que gera muito conflito quando são abordados pelas entidades ou pelos moradores”, explica Carolina.

Fonte: Jornal Diário do Sul

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