Produtores consideram safra de alho a pior dos últimos 48 anos em SC

Produtores de alho do estado consideram a safra de 2019 a pior dos últimos 48 anos. Mais de 50% do alho produzido em Santa Catarina foi de baixa qualidade. Em safras normais esse percentual não chegaria a 10%. O problema se agrava ainda mais por causa da concorrência da China.

O custo de produção de uma caixa de 10 quilos para os produtores de alho catarinenses sai em média R$ 70. Já o alho Chinês chega ao Brasil custando cerca de R$ 52. Tudo isso porque a taxa antidumping, que é uma taxação para evitar a concorrência desleal entre produtos nacionais e importados, não está sendo paga pelo mercado chinês, conforme o presidente da Associação Catarinense dos Produtores de Alho, Everson Tagliari.

"Se essa taxa fosse aplicada, esse alho chegaria a R$ 90 o custo, esse alho chinês no Brasil. Então, nos tornaria competitivo com esse alho. Mas, a gente vê decisões monocráticas de juízes de primeira estância dando liminares ao alho chinês".

No ano passado o prejuízo para os produtores catarinenses chegou a R$ 71 milhões. Alguns até conseguiram renegociar as dividas. Mas, em 2019 a associação dos produtores disse que o número já passa dos R$ 100 milhões.

Além disso, um outro problema vem tirando o sono de quem depende da cultura para sobreviver. "É a mais crítica que existiu em 48 anos que se produz alho aqui, nunca se viu um alho dessa forma desse ano aí. Por causa do clima que deu frio fora de época e muita chuva também. O que era o top do nosso alho tá virando indústria. Por exemplo, assim, o alho top a gente vende a R$ 8 o quilo e o alho da indústria a gente vende a R$ 1, R$ 1,50 ainda se tiver gente que compre", diz o produtor Sílvio Novacoski.

Prejuízos

Na região de Frei Rogério, Curitibanos e Fraiburgo, na Serra catarinense, são cerca de 1.500 produtores de alho. Mas, por conta de toda essa situação, alguns já desistiram da produção. A estimativa é que pelo menos 30% tenham deixado a atividade.

"Tem muitos vendendo propriedades, vendendo máquinas e acabando indo pra cidade porque não vai ter como se sustentar no campo", disse Everson.

Para encontrar uma solução para o problema, audiências estão sendo feitas em Brasília com o ministério da Agricultura. Na próxima semana tem mais uma programada com representantes de Santa Catarina e do governo Chinês. Esperança para o produtor catarinense que continua aguardando por resposta. "A esperança é a última que morre, então a gente espera que os nossos governantes olhem pro pequeno agricultor, pela agricultura familiar, pra ver o que ele pode fazer por nós. A nossa situação é péssima", disse o produtor Mário Haag.

Fonte: G1

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