Resgate de menina morta em vendaval foi dramático, diz testemunha

O retorno de uma tarde na praia de Jaguaruna terminou de maneira trágica para uma família do bairro Guarda margem esquerda, em Tubarão. Os tios de Maria Clara de Souza, de 8 anos, trafegavam no sentido do bairro e precisaram sair do carro, um Corsa, para tirar obstáculos sobre da pista (devido à tempestade) quando foram surpreendidos com a queda de um eucalipto de mais de 30 metros de altura na rua Candido Darella, na beira-rio entre a Beckhauser e a entrada para o Seminário (somente pontos de referências), no bairro São João margem esquerda, nas proximidades da localidade conhecida como Pantanal. A menina estava no banco de trás e foi atingida em cheio. Iniciou-se aí uma angustiosa luta para resgatá-la, mas já era tarde. 

A principal testemunha é um jovem de 24 anos. Ele ouviu os gritos de uma mulher que carregava um bebê de um 1 ano e 8 meses no colo. “Estávamos todos encolhidos no quarto. A mulher chegou no portão desesperada e dizia para salvarmos a família dela”, lembra Zuledio Agostinho, ajudante de carga que cuidava da mãe doente.

A primeira ação foi ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Nem este, nem os bombeiros ou a Polícia Militar (PM) podiam se deslocar imediatamente para o local. “Eles alegaram que era preciso esperar que passasse a ventania. Mas foi só aliviar a chuva e chegou uma viatura da Polícia Militar”, revela. Segundo o jovem, pelo tamanho da árvore era impossível que a garota tivesse sobrevivido. Dois homens não conseguiriam abraçar o tronco, tamanha a sua espessura. Um bombeiro constatou a morte e foi preciso um motosserra em um trabalho que durou quase três horas para retirar o corpo. Pessoas tentavam ajudar, mas foram orientadas a se afastar por conta dos fios de alta tensão que estavam caídos sobre a pista, oferecendo risco de acidente. 

“Não era possível ver o corpo da menina, que estava prensado no banco de trás do carro. Aproximei-me e consegui ver apenas a perna dela. Não aguentei aquela cena. Afastei-me. Depois perguntei para o bombeiro se haveria chance dela estar viva. Ele me disse que foi morte instantânea. Aí fiquei pensando como eu iria contar para a mulher - que pediu guarita -, que estava lá em casa com minha mãe. Foi o próprio Samu quem deu a notícia e a levou para o hospital. O homem não se machucou, mas foi na ambulância porque estava muito nervoso”, relata.


Comoveu o Brasil
Canais de notícias no Brasil repercutiram a morte da pequena Maria Clara de Souza. Autoridades políticas e religiosas lamentaram e estenderam solidariedade à população. Em nota oficial, a Diocese de Tubarão, que também foi atingida em sua estrutura física, considerou o falecimento da menina "a maior perda" para Tubarão. O governo federal publicou informe em portais e jornais em vários estados.


Ladrões tentaram furtar objetos
O carro onde estava Maria Clara, um Corsa, permaneceu, na segunda-feira, em um terreno na margem do rio Tubarão. O veículo ficou totalmente destruído e só foi retirado do local na manhã de ontem. O ajudante de carga, Zuledio Agostinho conta que algumas pessoas tentavam furtar a bateria ou o som do carro durante a noite e se antecipou. Ele recolheu documentos e outros objetos e guardou na sua casa. Tudo foi entregue à família ontem. “Fui ao velório para conversar com eles. Deixei os objetos e prestei minhas condolências. Realmente vai ser difícil de esquecer”, diz.

Informações: Notisul
Foto: Rafael Andrade

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