Grupo separatista quer consultar população do RS, SC e PR

A separação dos três estados da Região Sul do restante do país será consultada em um plebiscito informal no dia das eleições, em 2 de outubro. A intenção é descobrir o que pensa a população do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina sobre a proposta, organizada pelo movimento "O Sul é meu País".

Uma das organizadoras é a gaúcha Anidria Rocha, que mora em São Jerônimo, na Região Metropolitana, distante 70 quilômetros de Porto Alegre. "Nós somos um povo que busca autonomia", sintetiza.

Para o plebiscito, serão espalhadas 4 mil urnas em 1.191 cidades dos três estados, segundo a organização. Anidria explica que cada urna ficará a mais de 100 metros dos locais de votação das eleições municipais. "Por lei, a gente tem que ficar nesta distância, para não configurar como boca de urna. Mas é uma votação diferente, serão urnas de papelão e o voto será em papel e caneta. Além disso, a pessoa não vai precisar apresentar documento, nem assinar nada", explica a gaúcha.

A consulta popular está sendo organizada há um ano e até agora mais de 10 mil pessoas mostraram interesse em serem voluntárias nos pontos de votação, uma espécie de mesários. "Queremos chegar a 15 mil pessoas", salienta Anidria. A intenção é coletar em torno de 1 milhão de votos, ou seja, 5% dos eleitores dos três estados.

A votação vai ser encerrada às 17h, explica Anidria, e as informações dos municípios serão repassadas para a Comissão Central Organizadora (CCO), com sede em Brusque, em Santa Catarina. Ali será feito a soma total dos votos, que poderá ser consultada pela internet.

Anidria explica que há uma aceitação "imensa" de muitas pessoas ao movimento separatista. "A população está insatisfeita." Um dos fatores que impulsionam o movimento, explica a organizadora, é a falta de representatividade da região na política. "Nós não temos a representatividade que deveríamos ter."

Ela observa que no ano passado os três estados arrecadaram R$ 167 bilhões em impostos que foram encaminhados para Brasília. Entretanto, apenas 20% do montante voltou em investimentos, segundo a organização. Levanta ainda a questão social e cultural. "Hoje somos várias culturas diferentes. (...) São várias culturas no Brasil que estão sendo unidas à força", ressalta.

Em sessão na segunda-feira (25), o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Santa Catarina, desembargador Cesar Augusto Mimoso Ruiz Abreu, se manifestou contrário ao plebiscito, o que foi acompanhado pelos demais juízes. "A ocorrência desse evento simultaneamente à votação oficial pode ocasionar tensões", o que pode comprometer as eleições e provocar a desordem, observa Abreu.

O desembargador requisitou ainda investigação à Polícia Federal e instauração de inquérito policial. Entretanto, salientou que devido à "peculiaridade da matéria", o encaminhamento deve ser submetido a Corte do TRE-SC.

Anidria diz que a manifestação do TRE de Santa Catarina não preocupa o movimento, que surgiu há mais de 20 anos. "Está tudo de acordo com a lei. É um plebiscito informal, simplesmente uma pesquisa. Não tem um valor legal."

Para ser um plebiscito oficial é preciso que seja convocado pelo Congresso, quando se tratar de questões de relevância nacional. No plebiscito, os eleitores do país aprovam ou rejeitam questões relevantes antes da existência de lei ou do ato administrativo. Assim, a população diz se quer ou não que ele seja aprovado.

Informações G1

Foto: Divulgação

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