Quase metade das catarinenses deixa de fazer exame que previne câncer de colo uterino

Atrás somente do câncer de mama e colorretal, o tumor no colo do útero é o terceiro mais frequente no Brasil, com estimativa de 16,3 mil novos casos a cada ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Também representa a quarta causa de morte feminina por câncer — a avaliação mais recente, de 2013, confirmou 5,4 mil óbitos por essa causa. A despeito dessa realidade, 47% das mulheres catarinenses deixam de fazer o exame preventivo da doença, conforme demonstra pesquisa inédita da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC): Panorama sobre Conhecimento, Hábitos e Estilo de Vida dos Brasileiros em relação ao Câncer.

Esse câncer é causado pela infecção persistente do colo do útero (que fica no fundo do canal vaginal e é acessível ao toque) por alguns tipos do papilomavírus humano, o HPV. Somado às vacinas e aos preservativos, o exame que rastreia possíveis lesões pré-cancerosas e analisa as células cervicais compõe a estratégia do Ministério da Saúde para diminuir os índices desse tipo de tumor, de acordo com a diretora da SBOC, Andreia Melo. 

— O dado é alarmante, pois o Papanicolau é o principal procedimento de prevenção do câncer de colo de útero. A incidência da doença pode ser reduzida em até 80% quando feito com a periodicidade indicada pelo médico — enfatiza.

Maior ainda a nível nacional (52%), a baixa adesão ao diagnóstico do câncer de colo uterino, não está relacionada ao desconhecimento sobre o exame. Isso porque 87% das mulheres no Estado catarinense ouvidas pelo estudo sabem da importância do preventivo. Moradora de Florianópolis, Virgínia Faria, 37, está entre elas. Ciente da importância de consultas ginecológicas periódicas, ela diz que realiza o exame na frequência indicada pelas diretrizes nacionais: anualmente a partir do primeiro e uma vez a cada três anos, se os últimos dois resultados tiverem sido normais.

— Comecei a fazer com 18 anos, porque havia iniciado a atividade sexual, e até então nunca tive alteração. Acredito que as mulheres que não fazem tenham medo, constrangimento e vergonha, principalmente as adolescentes, além de esperarem o aparecimento de algum sintoma ginecológico para fazer o exame — comenta.

No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), é possível fazer o exame preventivo sem agendamento prévio, já que o procedimento é realizado por enfermeiros no ambulatório. Já no contexto da rede privada de saúde, é preciso consultar-se com um médico, que fará a coleta no próprio consultório. Depois, os materiais são enviados para análise laboratorial. Dada a facilidade de acesso, o médico Ricardo Maia Samways, que preside a Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia em SC, surpreende-se com a estatística demonstrada no levantamento. Frente aos números, garante que serão necessárias campanhas de divulgação e conscientização ainda mais abrangentes no Estado.

— Essa é a principal demanda das mulheres em consultórios. Elas nos procuram anualmente para o preventivo. O voluntariado também cumpre papel importante na rede pública. Mas para que não haja receio e elas retornem, é fundamental explicar detalhadamente como funciona o exame. E também diminuir o medo em relação ao diagnóstico do câncer de colo uterino, que desde o aparecimento do vírus HPV até o câncer invasor pode levar dez anos — explica.

Em caso de resultado positivo para o tumor cervical, que neste caso estaria em estágio inicial, os tratamentos vão desde acompanhamento semestral associado a outros exames até cauterização das lesões.

Para ginecologista obstetra Halana Faria de Aguiar Andrezzo, que atua em Florianópolis e pertence ao Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, de São Paulo, a questão da desigualdade social é acrescentada como outra justificativa para quase metade das catarinenses deixarem de fazer o preventivo. Esse é o pior índice da região Sul.

— Enquanto mulheres de camadas médias são submetidas a todo tipo de rastreio (Papanicolau, colposcopia e testes de DNA para HPV) anualmente, desnecessariamente e até mesmo com danos gerados por esse excesso, são as mulheres pobres sem mínimas condições de cuidar de si mesmas e sem acesso aos serviços de saúde que morrem por câncer de colo uterino — argumenta em seu blog, Casa de Amaterasu.

Cigarro preocupa ainda mais

Outro grande vilão do câncer de colo de útero é o tabagismo. Segundo a pesquisa, 12% das mulheres do país fumam, sendo que, entre elas, 14% consome mais de 10 cigarros por dia.

— Apesar de o cigarro estar comumente relacionado ao câncer de pulmão, o tabagismo também é um fator de risco relevante quando se trata do tumor do colo de útero. E, mesmo o hábito sendo mais comum entre a população masculina, o que a pesquisa nos mostra é que grande parte das mulheres ainda fuma e, o mais preocupante, não pretende parar: 7% das respondentes diz que não abdicaria do hábito — aponta a médica Andreia Melo, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.

Em SC, 7% das mulheres catarinenses são fumantes e, entre elas, uma em cada três mulheres fuma um maço por dia.

Fonte: Diário Catarinense
Foto: 
Diorgenes Pandini / Diário Catarinense

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