Médicos do Hospital Materno Infantil Santa Catarina deflagram greve até pagamento integral de salários

 

Como já vinha sendo informado, os médicos de uma das principais instituições voltada ao serviço do público infantil deflagraram greve. Os atendimentos do Pronto Socorro do Hospital Materno Infantil Santa Catarina - Hmisc foram suspensos ontem à tarde, após o Instituto Saúde e Educação Vida - ISEV não quitar integralmente a dívida com os profissionais. Irredutível em sua decisão, o corpo clínico, atualmente composto por 46 médicos, reivindica o pagamento de três meses atrasados de seus salários, em aberto desde junho.

Na semana anterior, a previsão era de que a greve iniciasse a partir das 7h dessa segunda-feira, mas o horário foi prorrogado com o comprometimento da Prefeitura Municipal de Criciúma em repassar novos recursos ao hospital. Ontem, às 14h, R$ 790 mil caiu nas contas da instituição. Mas, conforme o diretor clínico do hospital, Eduardo Ali Gonçalvez, a direção do Santa Catarina deixou claro aos médicos, e também para a JC Médicos, empresa pela qual os profissionais são contratados, que os pagamentos não seriam quitados em sua totalidade.

Com essa situação, a população foi pega de surpresa. Todas as crianças que passaram pela triagem até às 16h receberam atendimento. Depois disso, as mães foram mandadas embora, como foi o caso de Aline Freitas. “Minha filha está com 39 de febre, mas assim que cheguei fui barrada. Estou aqui esperando me buscarem e vou levar ela ao Hospital São José, mas não sei se vão atender. No postinho do bairro me encaminharam para cá, mas porque não avisaram que existia possibilidade de greve?”, questionou.

Na frente da instituição cartazes informavam: “Devido a problemas técnicos informamos que os atendimentos serão suspensos por tempo indeterminado”. Mas, conforme constatado pela reportagem, nem todos os presentes ficaram sabendo que se tratava, de fato, de uma greve.

Emergências e UTI

Agora, a paralisação permanecerá até que os valores sejam devidamente quitados, conforme frisa o diretor clínico. Nesse período, os serviços de urgência, emergência e na Unidade de Tratamento Intenso - UTI serão mantidos, através de revezamento de escala médica. “Durante todo esse tempo de atraso nós mantivemos os atendimentos em dia, não recebemos nenhuma reclamação, o que foi muito difícil. É complicado manter profissionais motivados nessa situação”.

Nesse contexto, o Ministério Público - MP, a Prefeitura, o Conselho Regional de Saúde - CRS, o Corpo de Bombeiros e Sistema de Atendimento Móvel - SAMU, foram devidamente informados sobre a paralisação. Para a imprensa, uma nota oficial foi emitida elencando todos os motivos pelos quais o corpo clínico optou por essa decisão.

Prefeitura repassa o prometido

O valor de R$ 790 mil repassado pela Prefeitura, por si só não cobre o débito junto ao corpo clínico. Para A Tribuna, Julhiano Capelletti, sócio majoritário da JC Médicos, não quis informar qual é o real valor da dívida do ISEV com os médicos. Para evitar a greve, os profissionais esperavam uma contrapartida por parte do ISEV, o que não aconteceu. “São os diretores do ISEV quem deve administrar esses pagamentos, nós só encaminhamos os repasses. O total não quita tudo, mas uma boa parte”, diz o secretário da Fazenda, Cloir Da Soller, sobre o caso.

O diretor técnico da instituição e também médico pediatra, Leon Iotti, também conversou com a reportagem. “É preciso deixar claro que a Prefeitura cumpriu com o prometido, mas esse foi um posicionamento grotesco do ISEV. A direção não repassou e não existe nenhuma perspectiva de repasse”, enfatiza. A Prefeitura deve ainda ao ISEV o total de R$ 1  milhão e 250 mil, sendo que recentemente a parcela de R$ 650 mil também já foi destinada ao Materno.

Conforme Iotti, esses valores teriam sido utilizados para outras despesas, como para o setor de enfermagem e laboratórios, por exemplo.

Direção não dá retornos

Com o propósito de marcar uma reunião para discutir a atual situação, a Prefeitura tentou entrar em contato com a direção do hospital durante o dia de ontem. Conforme o presidente do Conselho Superior de Gestão, Silvio Ávila Júnior, as ligações não foram atendidas. “O diretor está em Porto Alegre e não nos atendeu. Mas, assim que der vamos propor uma reunião para cobrar um posicionamento e tentar sanar esse problema o quanto antes. Nós até conversamos com os médicos, mas eles estão irredutíveis”, afirma. 

Da mesma forma, a reportagem também tentou entrar em contato com a direção responsável, as ligações não foram atendidas até o fechamento da edição.

Informações: Denise Possebon/Clicatribuna
Foto: Daniel Búrigo

Fonte: Portal Clicatribuna

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